Ambiancé - Gabe

Ambiancé - Gabe

  • Year of release: 2018
  • Duration: 11:51

Below is the lyrics of the song Ambiancé , artist - Gabe with translation

Lyrics " Ambiancé "

Original text with translation

Ambiancé

Gabe

Ello. Coletivo

Ello. Coletivo

Toca 707

Vou me descrever de quem, «O Suicídio» de Durkheim

Anômico até as pálpebras, me atirei do cais

Sou Pégasos tanto faz, já não me importa mais

No jogo do ping pong, meu ping já é mais de cem

Eu não convenço ninguém, tipo Scott Kelly

Odeio Travis Scott, talvez a mente quebre

Virando o Passport Scotch porque acabou a Pitu

Sou mais um pinguim do sul tipo: Scott Pilgrim

Ouça Missão 21 Cruzeiros

Seus martelos cruzados atravessam suas mentes

Com o relógio parado, me perdi no passado

Analisando igual Melão, já me liguei virado

«O Exorcismo de Emily Rose» só para baixinhos

Brinca de dar todas as dicas, mesmo assim não adivinho

Não pense em me dizer o que não pode

Que eu vou colar no pagode, sem as cordas do meu cavaquinho

Cinquenta milímetros e a febre dos pífaros

Mirando os piráculos, encaixando os fígaros

Compro seu fígado, pra escrever o epitáfio

De mc’s maduros mais verdes até que o Piccolo

Preciso salvar o mundo, mas tenho que lavar a louça

E ele roubou minha bolsa, essa é a lei das ruas

Suas rimas não precisam ser boas e nem ruins

«…elas só precisam ser suas»

Olho pro céu e desço, a conta veio e eu não paguei o preço

Por cada laço nessa rede

Olhos não viram, mas o coração sentiu

Por quem tomou todas as dúvidas e ainda morreu de sede

A sede dessa organização é um extremo

Estado laico é só historia de barco sem remo

Se renda a essa fé simplória que guia o que tenho

Porque todo esse caos é a síntese do que temo

E o tempo?

Que se dizia a cura de tudo

Que dentro desse jogo sujo era lupa do luto

Que mesmo com encosto fúnebre, tornou mais bruto

Momento de contar vitória e dar tchau pra esses puto

Pato de lado não voa, a lata do dente já cai

Pros tubarão de lagoa, a pata de peso amiudai

Se hoje acabar aqui, eu tentei, tanto faz

Ontem ouvi CXA, hoje o crime é CSI

Não entendeu é C&A, já tive que me virar

Com as córneas de Stevie Wonder, sem cérebro me pirar

Cês querem, não vou pilhar, se o Skeleton me matar

Eu perco esses diamantes que me matei pra pegar

A vida é foda e eu perdi a conta do XVideos

Vou ter que voltar atrás e comprar um vídeo cacete

Mais vivo do que nunca pra planejar o suicídio

Atrasado igual fã de Costa Gold em '17

Camelo dado não se olha os dentes

E de repente, do medo se tornou leão

Mas mãos atadas não servem pra guerra

Postura introspectiva em tempo de libertação

Resolvendo problemas igual Bhaskara, máscara

Evolução que aqui passará, tratará

Como segredos de quem renascerá, mas terá

Perdão ao solo, qual postura aqui retratará?

Eu jamais botei fé nesse discurso, mudei o curso

E levaram como descaso

Mas por acaso eu não acuso, mantive aceso e uso

Tragam as notas pro raso

O medo é o pai da moralidade

Mas moral não tem idade, e julgam erros passados

Aprenda a revidar, o declínio de suas obras

Antes que o peso se acomode aos corcovados

Atrasado no plano, a tempo de ser salvo

Com a responsa me senti mais astro do que alvo

Se eu respondo o que me grita, o gordo e o calvo

Percebe e assiste o que incita, o peso desse salto

No meio da treta, Kenan e Kel, visse?

Dos rapper de proveta, lembra que o Well disse?

Dirap clínica, rico de criptohit

Nos muros de Jericó serão Hellboy ou Hello Kitty

Ou não busco a existência inspirado em Cotinz

Nos flancos da resistência, procurando os confins

Joga a flanela com jeans, casualidade com quem

Sem empatia com Kim, e mesmo assim há cocain

Eu tô perdendo contato, tô me matando de fato

Farejando afeto, mas já não tenho olfato

Ouvindo a nova do Fito, pra ver se hoje não irrito

Eu me tornei o esquisito, mas não assinei o contrato

Mesmo afogando as mágoas em papel

Tipo livros e dinheiro num descaso humanitário, mas…

Num descanso dessa fábrica de pedras, nutricionista de pérolas

Fabricando paredes de concreto

Eu não converso mais com o caos

Mesmo assim a paz me ignora

«Mano, eu vou embora» mas é só ameaça, covarde

A coragem é meu ímpar e eu to ficando mais ímpio

Mesmo depois de ter matado em biografia

Apologia ao nada, querendo ser levado a sério

Inspiro em Lester

Já matei demônios, Gábe Winchester

Eu tô transando com as linhas, é um incesto

Eu não presto mais pra isso, minha cúpula é errar o compromisso

Criança quando retomo ativamente aquelas dores

Andança sem domo, tranquilamente em belas flores

Esperança de um trono, intensamente um ódio torpe

Na dança do aposento, eu após tento um sentimento podre

Com essa pressão que transforma o trabalho em fracasso

E ao mesmo tempo, transforma o descanso em trabalho

Eu não enxergo as pedras que eu tropeço

As perdas eu atropelo

Mas sem cartas no baralho

A folia virou fobia

Se pá também vou ter que ligar pro Fábio

Sigo carregando o fardo, de lutar contra fardas

E não tô conseguindo acessar o saldo, sábio

Eu sou São Pedro, e o tempo tá escuro

Eu vou jogando as entrelinhas de cima do muro

Me amarro em linhas, e me sinto bem preso

Luto pelo que prezo, acho que eu sou burro

A ficção barro, sem ar de solução

Só mais uma vinda dessa costela de Adão

Tô vendo estrelas na tampa do caixão

Sigo brincando com lapsos do retorno do leão

Alã no beat, sinto o velho oeste

Já me sinto velho ainda procurando o norte

Com Felix e Thales desde a adoção

Hoje passo pelos testes e já não conto com a sorte

Três horas de morte por dia

Demora nas contas de maio

Devora ideias, reforma plateias em mostras de satã, em tubos de ensaio

A mão treme, o sangue pulsa, o coração pula

Transição de cavalos de guerra pra mula

Sensação que dá vontade de fazer as malas

Um passo aqui e outro lá como se fosse chula

Biografia próxima de Frida Kahlo

Pintando faixas em tons de cinza claro

Com mais de cento e trinta faros

Essa doença que hoje em dia financia a fábrica de criar calos

E se eu voltar rimando brabo como antes, pesado igual elefantes,

lapidando diamantes

Encaixando as consoantes e as vogais, militante e nada mais

Intolerantes me deixaram pra trás

E sem perguntar quem faz

Pode olhar no semblante, rima sem conservante

Se for eficaz, vão dizer que fui mutante

Entre os braços de concreto, desafeto, biografia

Fui mais pra quem disse «é sorte de principiante»

Trabalhando pra tirar os mc’s de prateleira

Bem antes do prefácio me trouxeram a proposta

Com todo esse caos pregado pintando a cor do pecado

Em cada alma, minha palma não diz nada sobre mim

Assim, sigo escondido num sorriso amarelo

Com esse ódio do tamanho do ego do Rafaelo

A desculpa da paz que eu prego, vai tomar no cu, seu prego

Se não sabe, sou o demônio do pesadelo do Gábe

Sou parte disso aqui, me olhem

Fui responsável de todas essas ações além dessa falta de ordem

Ontem aceitei ciente, por isso meu corpo mente

Cada ação uma nova angústia, cada dia uma mente

Porra, essa pressão de não errar pra me manter

«E se a Brenda não me ouvir, a quem eu vou recorrer?

Fotos pra recortar, projetos pra retomar

Erros pra me redimir e ver alguém reconhecer»

Preso entre sinais e gestos e ainda não entendi nada

Mesmo que isso já tenha sido comum

Fazendo mais do que eu podia com a alma injustiçada

Acho que o rap game, não rodou no meu play

Ultrapassado como uma criança e sua pandorga

Na era do Smartphone e suas caixas de pandora

Quando a alma revigora, é só trocando fé por droga

Sentimento de humilhação, que esse eu adore

E nem fui o primeiro a usar o cerebelo

Se a cabeça é só cabelo, o resgate vem a cavalo

Perdão por falar o que eu falo, isso foi só um pesadelo

Se sorriso é só salário, o mundo não vale um centavo

Do topo do monte, sinto um frio na barriga

Me instiga o fato de não saber mais o que eu sinto

Sento perto «intro», entre o deserto de incertezas

E as primeiras presas são o meu ego e o meu instinto

Agora eu minto, sou sincero

Me isento, desespero

Me enfrento eu desisto, é um misto o que eu quero

Eu não insisto e eu me visto e aceito essa jornada

Uma espada e um cesto, e o resto não vale nada

Tipo as notas de real, e a real das notas

Eu sou um poeta do esgoto, e essa sina esgota

Tudo que eu transmito aqui não vem só do pulmão

São linhas cardiovasculares, quando que eu sou canção?

Canção quando cansei, mandei pro canto aquele conto

Tensão, mas não tentei, mesmo se tanto sendo tonto

Pressão quando premeditei o próprio ego pronto

Benção me batizei como num brado em um belo banco

Se eu sou o que eu somei não sendo santo e sendo sonso

Feição se me fartei ficando frio dentro de um forno

Eu fui o início e fim de vícios por filhos postiços

Dividindo a crise com Cristos, e sismos me deixam morto

Mas sou da cidade dos não lembrados ou esquecidos

Não sei se compro os congelados ou aquecidos, são mini diásporas

Esquecem das aspas nas suas rimas ásperas

Na década moleque liso

Minhas linhas puras e pífias como as do jovem Maka

Caí na maca toda vez que tentei despertar

Perdi a conta da rota, não terá despontar

Não sei de onde descontar, porque a mente empaca

Já foram 160 barras e nada muda

E eu sou a mula da jaula 160 dias

As noites frias, como o semblante de Frida

Ruas vazias no ouvido, e as confissões de Neruda

Vou me mudar pra Nevada, altos e baixos

Com patrocínio da Tilibra, minhas maricas eu faço

Um latrocínio na larica, eu roubo a brisa e mato a fome

Eu sou um homem sem palavras, sem alma e sem microfone

Eu só descanso e não me vendo, com duas fraquezas notas

Descalço e não me lembro onde Judas perdeu as botas

Meu encalço não me apoia, eu visto figas

Pensei em plantar umas mudas e vi o toque de Midas

Ainda me sinto perdido no ano das tretas

Procuro novos mares, encontro novos males

Pensando em como é livre fazer arte sem o Freitas

Ou sobre como o estúdio fica vazio sem o Thales

Mas RG ainda é forte, ouça Ganti ou Alã

Ah Jota no rolê de canto, UmRumo Amsterdã

Ello. Coletivo é tinta, não sai do encarte

Crise dos 30, alvorada, e a mente em Marte

Humildemente, sobre o peso das pálpebras

Parei de rimar, agora falo verdades

Trezentas barras não são suficientes pra curar angústias

Foda-se o liberalismo e a síndrome da Colgate

Morte, signo forte como os samples do Arit

Não ouço Filipe Ret, tô nem aí pro seu hit

Pesquiso uma single hot, pra jogar mal

Cito os samples, mas não esqueço do melhor poeta nacional

Eu rimei sem querer no último verso

Minhas últimas linhas sempre serão as mais vivas

É daqui pra eternidade, eu tô cansado, eu tô exausto

Eu tô num nível de sanidade do submundo

Eu tô num nível de sanidade do submundo

Eu tô num nível de sanidade do submundo

Eu tô num nível de sanidade, tipo…

Tipo Isaac Newton ou Dr. Mundo

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